A Stellantis e a Wayve usaram veículos de desenvolvimento Fiat 500e e Maserati Grecale para demonstrar assistência à direção baseada em inteligência artificial no evento Wave by Vento 2026. O comunicado de 9 de outubro informa que a integração evoluiu até testes em vias públicas em menos de quatro semanas.
A novidade é a aplicação da mesma base tecnológica a carros de portes e características diferentes. O Wayve AI Driver foi integrado ao STLA AutoDrive para uma função supervisionada, descrita pelas empresas como mãos livres e porta a porta, com atuação pretendida em ambientes urbanos e rodoviários.
Uma base de IA para plataformas diferentes
Segundo o anúncio, a solução se adapta à geometria e à dinâmica de cada veículo e ao posicionamento dos sensores. Isso importa porque a resposta da direção e o espaço ocupado por um Fiat 500e não são os mesmos de um Maserati Grecale: compartilhar software não elimina a integração com o carro em que ele será instalado.
A Wayve descreve uma inteligência que aprende com experiências reais, sem depender de mapas de alta definição ou de regras de direção escritas manualmente para cada cenário. É a abordagem de desenvolvimento anunciada pelas empresas, não uma comprovação de que o sistema reconheça corretamente qualquer situação de trânsito.
O prazo de quatro semanas se refere à integração demonstrada nesses veículos. Não equivale ao tempo necessário para validar e comercializar a função em todos os modelos da Stellantis.
O que significa direção supervisionada
A designação “Nível 2++” é usada no comunicado. Na classificação explicada pela NHTSA, agência americana de segurança viária, o nível 2 reúne assistência contínua de direção e aceleração/frenagem, com o motorista atento e responsável pela condução.
Já no nível 3, o sistema executa a tarefa nas condições permitidas, e o condutor deve estar disponível para retomá-la quando solicitado. No nível 4, a operação pode dispensar esse acompanhamento humano dentro de uma área ou domínio de funcionamento limitado. São diferenças de responsabilidade, não apenas de quantas vezes se toca o volante.
Por isso, uma função mãos livres supervisionada não deve ser entendida como autorização para desviar a atenção da via.
A previsão anunciada é de chegada da assistência em 2028, inicialmente na América do Norte. Não há data brasileira nem confirmação de atualização para carros já vendidos. Para o público nacional, o avanço está na integração entre plataformas; disponibilidade por modelo, condições de uso e requisitos de supervisão ainda dependem do produto comercial.



